Dois homens foram presos em Perth e são acusados de crimes ligados a invasões, lavagem de dinheiro e outras atividades de cibercrime.
A Polícia Federal Australiana (AFP) prendeu dois homens em Perth acusados de integrar o TeamPCP, grupo hacker associado a campanhas contra empresas de tecnologia, projetos de código aberto e mais de mil organizações.
Entre os alvos relacionados às operações do grupo estão Mercor, GitHub, OpenAI e a infraestrutura de nuvem da Comissão Europeia.
Os dois suspeitos foram acusados de mais de uma dezena de crimes ligados a invasões, lavagem de dinheiro e outras atividades de cibercrime. Segundo as autoridades australianas, as operações envolviam o comprometimento e a adulteração de projetos populares de código aberto.
A estratégia atribuída ao TeamPCP consistia em comprometer computadores em larga escala para roubar credenciais e outros dados. Posteriormente, essas informações poderiam ser usadas em novas invasões e na extorsão das vítimas.
Brett Leatherman, chefe da divisão cibernética do FBI, afirmou que os dois suspeitos estão relacionados a ataques contra mais de mil organizações.
O TeamPCP ficou conhecido principalmente por campanhas de supply chain, nas quais os invasores comprometiam ferramentas de software de código aberto utilizadas por desenvolvedores e empresas.
Código malicioso era inserido nesses projetos para atingir organizações que, posteriormente, instalassem ou utilizassem os componentes adulterados.
Depois de executado nos sistemas das vítimas, o código poderia roubar chaves privadas e outras credenciais sensíveis usadas para acessar ambientes de armazenamento em nuvem e, em alguns casos, dados de clientes.
Segundo as autoridades, mais de 500 mil credenciais foram roubadas e utilizadas para ampliar os ataques contra outras organizações.
Entre as operações atribuídas ao grupo está um ataque contra o Trivy, popular scanner de vulnerabilidades de código aberto. O comprometimento teve potencial para atingir empresas que dependiam da ferramenta e foi relacionado a organizações como LiteLLM e à startup de recrutamento por inteligência artificial Mercor.
Os hackers também são suspeitos de comprometer a infraestrutura de nuvem da Comissão Europeia e de atacar outros projetos de código aberto e aplicações utilizadas por desenvolvedores que poderiam fornecer acesso a empresas como GitHub e OpenAI.
A investigação australiana começou em abril de 2026, após as autoridades receberem informações fornecidas por diversas empresas de cibersegurança.
A polícia não divulgou oficialmente os nomes dos dois presos. No entanto, o jornalista independente Brian Krebs informou que um deles seria Ruben Thornson, conhecido pelo pseudônimo “Ellis”.
Segundo Krebs, Thornson teria afirmado anteriormente que liderou o TeamPCP até março de 2026. A identificação, portanto, parte da investigação jornalística e não da divulgação oficial da polícia.
Durante as prisões, investigadores apreenderam dispositivos eletrônicos e uma grande quantidade de dados que seriam provenientes das operações criminosas. As autoridades afirmaram que pretendem entrar em contato com as organizações identificadas como vítimas.
Ainda não está claro se o Departamento de Justiça dos Estados Unidos buscará a extradição dos suspeitos. O FBI não comentou essa possibilidade.
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