Incêndios em vegetação atingem mais de 60% da Terra Indígena Maxakali, em Santa Helena de Minas

Operação do CBMMG mobilizou equipes, brigadistas e apoio aéreo entre 7 e 17 de outubro de 2026

Por em Santa Helena de Minas, MG 4 minutos de leitura 3 visualizações

Dois bombeiros caminham por uma área de vegetação em um terreno aberto ao entardecer, com o céu alaranjado ao fundo.
Registro do deslocamento de equipes de combate e monitoramento em área atingida por incêndios em vegetação durante a operação na Terra Indígena Maxakali, em Santa Helena de Minas.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), por meio do 6º Batalhão de Bombeiros Militar (6º BBM), mobilizou equipes para combater incêndios em vegetação na Terra Indígena Maxakali e em seu entorno, na zona rural de Santa Helena de Minas, entre 7 e 17 de outubro de 2026.

Levantamentos técnicos feitos durante a operação apontaram que os incêndios atingiram mais de 60% da área da Terra Indígena Maxakali, além de áreas de vegetação em seu entorno. De acordo com as informações, a atuação foi marcada pela integração entre militares de diferentes unidades, brigadistas indígenas e profissionais do Prevfogo/Ibama, com emprego de recursos aéreos para reconhecimento e apoio às ações em solo.

Primeiros atendimentos e fases da operação

Os primeiros atendimentos começaram em 7 de outubro, quando equipes da 2ª Companhia de Bombeiros Militar, sediada em Teófilo Otoni, se deslocaram para a região. Entre 7 e 11 de outubro, os militares realizaram reconhecimento, monitoramento e combate a diferentes focos de incêndio em conjunto com brigadistas locais e instituições parceiras.

Na noite de 11 de outubro, após novo acionamento, uma equipe retornou para atender outros focos e iniciou uma nova fase da operação, com identificação de pontos atingidos e avaliação da necessidade de reforço operacional.

Reforço de efetivo, posto de comando e apoio aéreo

No dia 12, novas equipes da 2ª Companhia e da sede do 6º BBM foram para a região, ampliando o efetivo. Ainda em 12 de outubro, o número total de bombeiros empregados chegou a nove com novos reforços, e foi instalado um posto de comando para organizar os trabalhos e direcionar os recursos.

Na manhã de 13 de outubro, militares e brigadistas se deslocaram para a região denominada Cachoeirinha, onde fizeram combate direto para proteger um viveiro com mudas de diversas espécies de árvores. À tarde, as equipes foram para a aldeia da Sra. Margarida, onde foi construído um aceiro com apoio de uma retroescavadeira, além de ações de monitoramento e combate indireto para proteger a localidade.

No mesmo dia, o helicóptero Pegasus 08, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), foi empregado em sobrevoos de reconhecimento para apoiar a avaliação do cenário operacional. A operação recebeu ainda reforço de mais quatro bombeiros, elevando o efetivo do CBMMG para 13 na região.

Em 14 de outubro, a equipe foi novamente reforçada, incluindo bombeiros especializados em incêndios florestais, e o efetivo do CBMMG chegou a 19 militares. As equipes reorganizaram a estratégia e estabeleceram três frentes de combate, distribuídas entre diferentes pontos das regiões de Água Boa e Pradinho.

Condições climáticas e áreas atingidas

Segundo o relato, temperaturas elevadas, ventos, baixa umidade relativa do ar e vegetação seca favoreceram a propagação do fogo. O relevo acidentado e as dificuldades de acesso também limitaram o combate direto em parte do território, e, em alguns trechos, as chamas ultrapassaram quatro metros de altura.

Focos mais críticos e desmobilização

Em 15 de outubro, as ações de combate direto se concentraram principalmente na região de Água Boa e nas proximidades da Aldeia Velha, na região de Pradinho. Durante o atendimento, parte da guarnição foi deslocada para outro incêndio nas proximidades, onde duas residências indígenas haviam sido atingidas pelo fogo. De acordo com as informações, não houve registro de feridos nesse episódio.

No 16 de outubro, os bombeiros fizeram novo monitoramento, incluindo reconhecimento aéreo, sem identificar focos ativos no interior da Terra Indígena Maxakali. Após avaliação das condições, houve desmobilização parcial, permanecendo militares especializados e brigadistas do Ibama para continuidade do monitoramento preventivo.

Na manhã de 17 de outubro, uma última verificação das áreas monitoradas não identificou focos ativos, permitindo o encerramento da operação do CBMMG.

Atuação integrada com parceiros e comunidades

A operação reuniu bombeiros militares de diferentes unidades, brigadistas do Prevfogo/Ibama e voluntários indígenas, com participação da Brigada Mãtanãg Kõnãghi, do povo Tikmũ’ũn-Maxakali. Também houve apoio da Polícia Militar de Minas Gerais, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, da Defesa Civil Municipal de Santa Helena de Minas e do Projeto Hãmhi.

As ações incluíram reconhecimento, monitoramento, combate direto e indireto, emprego de recursos aéreos, abertura de aceiros e medidas de proteção de áreas de vegetação e estruturas ameaçadas pelas chamas.

Crédito da imagem: Reprodução CBMMG

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